há 6 dias Fala Universidades! Desfile da Mangueira traz releitura de Jesus e gera debates

A mangueira e seu demônio

Crônicas de fim de semana

Deus, porque assim o quis, deixou que o Nazareno nascesse em Belém, numa manjedoura e não nos luxuosos espaços de Roma, no apogeu de suas conquistas.

Quis, também, que sua pregação fosse feita em meio aos humildes, aos desvalidos, nos espaços da fome, da pobreza e da dor. Poderia, mas não o quis vindo ao mundo entre pompas aos borbotões, como os pecadores julgavam que deveria ser comemorado o nascimento de um Rei…

Para alguns filósofos e cientistas, no entanto, esse acontecimento é apenas um “acidente demográfico” – mais um ser humano nascia –  nas esquinas do tempo. Para os ateus, nada disso tem valor, não há Deus em parte alguma, muito menos no coração.

Mas para nós, católicos, e os 90% de seguidores de Cristo no Brasil, o nascimento de Jesus na Galiléia é um acontecimento singular, único, majestoso em sua simplicidade, e tem um profundo significado de amor.

No monumental conjunto de escrituras que compõe a Bíblia Sagrada, o que transborda, principalmente nos 27 livros do Novo Testamento, são os ensinamentos de Cristo, os benditos conceitos para uma vida voltada para o bem, sendo o maior deles o amor, o amor ao próximo, o  amor puro, vivo, transcendental, conhecido da lavra de Deus.

No “Sermão do Mandato”, o padre Antônio Vieira fala do amor conhecido, dos remédios do amor e do amor sem remédios, e explica que Jesus, na última ceia, sabia que ali havia um traidor, mas não o denunciou, posto que o amor de Deus é só perdão, o resto é sofismar.

No entanto, nos “anus” sujos dos que se utilizaram da imagem de Cristo para expor o seu santo nome em vão, no “leprosário” de suas almas prenhes de desamor, creiam, Jesus já sabia também desta traição e, como Judas, os que pactuaram sua execração com os demônios na avenida, do mesmo modo, racharão as suas vísceras com o terror e as labaredas do fogo do inferno.

No carnaval deste ano, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, vilipendiou ostensivamente, em pleno sambódromo, a imagem do Criador e a fé cristã,  em um desrespeito abissal a milhões de cristãos brasileiros, que crêem, com FÉ E DEVOÇÃO, em Nosso Senhor Jesus Cristo, como o verbo do amor de Deus, mas nada, nada mesmo, é capaz de atingi-lo.

O desfile, expondo a imagem do Pai Eterno, sob os olhares piedosos de tantos outros Judas, é a negação da verdade – em forma de deboche. Foi uma cena grotesca, degradante, bufa, refletindo a parte mais podre da antiga “cidade maravilhosa”, antes tão decantada por escritores e poetas…

Aliás, a cidade do Rio de Janeiro encapetou-se de vez nos últimos anos e, hoje, se traduz como uma grande universidade de traficantes, milicianos e políticos corruptos, onde se trava, no dia a dia, com a polícia, uma guerra fratricida, suja, miúda, sem precedente na história republicana, certamente sem o amor de Deus – onde os homens e mulheres de bem, cristãos na essência, são os mais atingidos.

No carnaval deste ano, o espetáculo dantesco, profano, degradante, contra Nosso Senhor Jesus Cristo, aprisionado e covardemente tangido em plena avenida, por satanás, como se uma besta fera fosse, é a quinta essência do escárnio humano contra o Criador, que deve estar num cantinho qualquer do universo, mirando de lá, com o coração sangrando, as ações dos incautos humanos perdidos, jogando lama no seu santo nome.

Jubilando Deus de nosso espaço, o que pensam os iconoclastas de Jesus? O que lhes resta? Que intenção teve a Diretoria da Mangueira patrocinando essa blasfêmia? Qual a sua resposta? Por que o seu desprezo? O que eles querem? – O que ocorreu no Gólgota, trovoadas, faíscas, a terra tremendo, cintilações e solavancos intermináveis!

Ora, Deus não se importará contra as blasfêmias digitalizadas vindas do inconsciente da turba ensandecida na passarela no Rio de Janeiro. Deve ser normal. O Rio Já tem três Estados: o federativo, o dos milicianos e o do crime institucional organizado, e vive na corda bamba na incongruência deletéria do mata e morre todo dia, do “toma lá da cá” dos políticos, em meio à vida comum dos cariocas trabalhadores.

Com tantos problemas assim, porque meteram Deus nessa história, já que sobram descalabros aos borbotões para resolver?

Fica aqui, portanto, o meu repúdio, e que Deus se apiede de todos nós que estamos  à margem de tanta podridão e nos proteja, antes, é claro, que a ira de satanás saia direto da avenida e cuspa fogo nos dirigentes da agremiação e nos atinja, solenemente, na hora em que a Mangueira entrar novamente na avenida.

AMÉM.