A Gaiola ou a vida, você decide!

Crônicas de fim de semana

As andorinhas passeiam no ar e, embaladas pelo ventos, caem no colo de Deus
Jonathan

Em tempos de desafio de coronavírus, a reclusão é um emplastro da alma que, sócia do silêncio, atormenta o coração, entope a boca, as narinas, comprime os ouvidos e aperta a aflição de quem precisa ir para a rua ganhar o pão de cada dia, mas está proibido…

Restando então aos pobres, e aqueles sem renda fixa, a escolha entre dois cruéis destinos: ou se morre da Covid 19 ou de fome – e agora?

Enquanto isso, ela, a reclusão – apelidada de “isolamento social” – se espicha e vai ganhando peso, neste sequestro da liberdade imposto ao direito de ir e vir de um mal, cuja quarentena parece ter sido feita sob medida para privilegiar apenas a classe média e a mais abastada do país, que podem ficar tranquilamente ficar nas suas casas assistindo Netflix e degustando caviar. O pessoal da mortadela, e os que nem isso tinham, está fora.

      Mas nos lares pobres, as orações se multiplicam, porque o capeta está perseguindo implacavelmente os deserdados da sorte em todos os lugares, e desta vez apresenta-se, como que querendo purgar os pecados nossos de cada dia, com seu novo nome: CORONAVÍRUS.

       Na regressão histórica da espiritualidade, Cristo, no deserto, também não se livrou das tentativas do demônio que lhe ofereceu todo o poder e a riqueza deste mundo caso se ajoelhasse diante dele, mas foi rejeitado.  Hoje, paradoxalmente, os homens têm se ajoelhado bastante aos pés do diabo e aceitado suas ofertas, lembrando de Deus apenas na hora do aperto. 

          O certo é que, na vida passageira desta  sociedade consumista e sem coração em que vivemos, parece que não depuramos nossas essências com Deus e temos sido pouco atendidos nos pedidos que fazemos para que esta peste chinesa passe ao largo de todos nós.

É que o pecado dos homens – a busca e a adoração pelo poder – tiraniza sua percepção celestial e, num átimo, os transporta para os tugúrios da vida profana, ou seja, sem a vigilância de Deus, mais ou menos assim como esse isolamento absurdo do corpo e da liberdade do espírito, com reflexo por todas as dimensões da vida de todos nós.

     Os piores são os que profanam o nome do Criador, nas intrigas dos confessionários, nas repartições públicas, nos dízimos indecorosos para construção de templos suntuosos e nas maledicências paroquianas, que “des-santificam” as hóstias e as preces, mastigando o pão da vida e bebendo bom vinho, mas ainda assim, vivem insultando o criador.

Graças a Deus nós, pais e mães de família, longe do poder, estamos em casa nos santificando nas reclusões impostas e nos depurando. Não queremos mais os triunfos de campões sem mérito, engolimos o orgulho, os pensamentos de acúmulo, e voltamos a ser apenas homens, seres mortais, na avaliação do perigo iminente que nos ronda no respiro, no beijo, em cada maçaneta de porta, no aperto de mão, no abraço…

   Tempos primitivos outros, nos remetem a uma reflexão como esta:

Por exemplo: um homem perdido nas matas, de repente se tornava prisioneiro de si mesmo, na amplitude de milhares de portas, mas sem indicações de caminhos, uma prisão a céu aberto e à luz do sol, e as rezas já não bastavam, e a morte o levava ao Deus das florestas e, saciando os abutres, a natureza ensinava que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Essa reclusão, que nos impuseram os “decretos da Covid-19”, achatou também a nossa percepção de riso e confraternização, não temos mais como “humorizar” a Terra, os amigos, fazendo o triunfo da alegria e do amor.

 A morte de milhares de pessoas pelo mundo, ao seguir viagem no rastro do noticiário macabro chegando às nossas casas em tempo real, vai se alastrando pelos mares, e o infinito estremece. A lâmina parece ser tão forte que pedaços de estrelas se banirão e haverá o caos, e se iniciarão outras vidas – sem alma, é claro, e as que sobreviverem, por serem sábias, habitarão sob a regência de outras estrelas.

  Quiçá, por isso, Ícaro queria voar. Talvez pela premonição de que os vírus habitariam a terra, daí meu espirito andante esteja também querendo voar até o céu dialogar com Deus e perguntar: Por que tantas mortes, por que tanta dor?  Até quando, Senhor?  

Notei que Deus, há tempos, tem mandado sinais.

Imaginei que seria porque Ele está preocupado com a natureza: o fogo nas matas, poluição no ar, homens comendo baratas, ratos e morcegos, jogando plásticos e outras “sujeirices” no mar, matando as nascentes dos rios, aumentando o poder da bomba atômica e desenvolvendo gases de nervos por interesses econômicos.

 Na verdade, um dos sinais que poucos perceberam, é que tudo leva a crer que o Coronavírus é uma experiência de guerra bacteriológica -- ainda que não declarada – feita pelos chineses, vazando para o mundo, a fim de criar a celeuma na horta de Deus, dando oportunidade aos abutres de sempre de se aproveitar, politicamente, para faturar mais um gordo naco de poder, capitalizando fantásticos recordes na cara dos vassalos.

 Mas vou me quedando insulado, me cuidando, me informando. Sou como os passarinhos que se agitam nas gaiolas à procura do sol da liberdade... Estou atento.

 No mais, nesta Páscoa, é sentir o Cristo que está em nós no batismo de uma Nova Era, que se espera novamente seja no Rio Jordão. 

 Que seja, então, com água limpa, e não precise de sabão, nem álcool em gel para expulsar o satanás, o espírito maligno que se infiltrou na Terra em forma de vírus e vem solapando a vida humana e deixando o rastro de uma imensa dor em todo o planeta.

Que não seja nunca assim como “Eles” querem!

Amém!