Esperemos a vacinação em massa, confiemos e conheçamos a ciência!

Pela política nossa de cada dia!

Pelo que se pode perceber pelo protagonismo em primeiro lugar do governador de São Paulo, João Dória Júnior, e do Butantan e da FIOCRUZ, e, depois, subsidiariamente, do Ministério da Saúde, comandado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, a vacinação em massa contra o coronavírus começou a se tornar uma realidade, começou a deslanchar; e todos nós, que acreditamos na ciência e na política mediadas pelo direito, no caso, portanto, todos nós que acreditamos na razão (e que trabalhos com ela, por meio dela), já podemos respirar um pouco mais aliviados e começar a imaginar o dia em que seremos vacinados e imunizados contra esta pandemia terrível e mortal.

Mas obviamente isso ainda vai levar um bom tempo. A esperança e a imaginação em torno ao momento de redenção, desde o qual, por meio da vacina, teremos anticorpos para voltar a uma normalidade mínima novamente, não nos deve fazer perder a disciplina em relação a uma realidade que ainda está por vir e que depende, hoje, mais da estabilidade, da vontade e do protagonismo político-institucionais do que da própria ciência. Os cientistas fizeram sua parte e, em um curto prazo de tempo, nos deram um fruto precioso gerado pela prática e pela técnica científicas: não foi charlatanismo barato nem se deveu a feijões mágicos e milagrosos, mas exatamente ao trabalho árduo da razão científica, do instrumental, da metodologia e dos princípios regentes da ciência, da produção científica do conhecimento, da resolução científica dos problemas humanos.

Ora, agora mais do que nunca, em um momento em que todos vemos e podemos experienciar o sucesso da ciência, também é o momento de passarmos a ouvir o que os cientistas têm a nos dizer sobre os próximos passos a serem tomados. E um desses passos é a permanência de medidas de isolamento e de contenção sociais e de continuidade da interrupção de atividades não-essenciais, complementadas pelo sempre necessário cuidado profilático em termos de utilização de máscaras, luvas e álcool gel. Note-se que não é um presidente negacionista e nem de sua trupe que vai nos dizer para usarmos cloroquina, azitromicina e ivermectiva, porque ele simplesmente não tem nenhum conhecimento técnico sobre o assunto e já está comprovado tecnicamente que elas não funcionam; também não são religiosos charlatães e aproveitadores do sofrimento e da boa vontade alheios que vão ou nos receitar feijões mágicos para a cura, ou, no mesmo nível de decadência e de estupidez, nos orientar a não tomarmos a vacina, porque ela contém o chip da besta, destruindo o espírito de quem a recebe. Esse tipo de religioso é e realiza apenas atraso sociocultural e leva à morte dos incautos que se deixam convencer por tamanha ignorância fundamentalista.

Assim como a ciência está nos dando instrumentos, os quais podemos ver na prática, para restabelecer nossa saúde, ela está nos dizendo, por causa de sua formação técnica, sobre o que devemos e o que não devemos fazer para minimizarmos a ampliação das contaminações e diminuirmos o número de mortes. Por isso mesmo, a esperança da vacina e a disciplina em termos de esperá-la – e, portanto, de nos cuidarmos por mais um tempo – devem também nos levar a confiar mais no trabalho científico e, com isso, a buscarmos conhecer mais esse mesmo trabalho (e, o que é melhor, temos formação científica perto da nossa casa, na nossa cidade, acessível pela internet etc.). Porque é ele, e não o charlatanismo barato e o negacionismo criminoso, que salva vidas, que melhora a qualidade de nossa sociedade, da vida da população e, por consequência, da vida de cada um de nós.     

Leno Francisco Danner

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