Não sairemos da pandemia do coronavírus sem liderança política e conscientização social!

Pela política nossa de cada dia!

Já somos bem grandinhos para saber que, sem protagonismo institucional e conscientização social, não sairemos dessa situação avassaladora e mortal ocasionada pela pandemia do coronavírus. Não há passe de mágica, não há solução que virá de “não sei que lugar”, não há espontaneidade quanto a isso. Deixemos de sonhar, deixemos de ser estúpidos. Precisamos querer e precisamos realizar a nossa parte, em termos de isolamento social, de distanciamento em relação aos demais e, finalmente, de cuidados profiláticos básicos. Pois podemos ser os próximos nessa estatística terrível de mortes e mais mortes todos os dias, dia após dia. Ademais, não resolveremos o problema sem distanciamento social; ao contrário, nós o tornaremos ainda mais pungente, agressivo e mortal – então, mais uma vez, deixemos de bobagem: só isolando-nos e, obviamente, cuidando-nos de modo consistente conseguiremos frear a contaminação e a mortandade causada pelo coronavírus.

No mesmo diapasão, o “liberou geral” não é mais possível, seja porque há o judiciário e há gestores públicos atentos com suas responsabilidades estruturais, que simplesmente não tolerarão esse argumento simplório de que é melhor morrer alguns do que matar a todos pela interrupção das atividades econômicas, de que um mal menor é melhor que um mal maior, seja porque cientificamente está muito claro que, quanto mais abertura, mais contaminação e, quanto mais contaminação, mais interrupção permanente das atividades. Logo, não há como sustentar normalidade quanto não há mais essa normalidade. Só idiotas repetem essa justificativa sem qualquer ancoragem na realidade.

A solução para o problema passa por uma reorientação institucional em torno ao papel da federação, de estados e de municípios em termos de gestão e de enquadramento do problema na multiplicidade de seus vórtices (sanitário, cultural, político, econômico etc.) e por uma postura de conscientização coletiva acerca do isolamento social e dos cuidados profiláticos necessários para frearmos a disseminação da contaminação, que está simplesmente levando ao colapso da rede pública e da rede privada de saúde – em poucos dias, se as coisas continuam nessa velocidade e nessa intensidade galopantes, teremos pessoas morrendo por falta de UTI, de respirador, agora em escala nacional, reproduzindo situações que vimos em Manaus e em Porto Velho, por exemplo, o que seria o suprassumo da tragédia social que estamos vivendo.

O governo federal tem há mais de um ano negligenciado o problema, sabotado a atuação do judiciário, de governadores e de prefeitos comprometidos com a resolução dessa crise e se negado seja a dar o exemplo, seja a assumir o protagonismo necessário, que é em primeiro lugar uma responsabilidade desse mesmo governo federal e de mais ninguém. Por palavras, atos e omissões, Jair Messias Bolsonaro destruiu, em grande medida, a eficácia das medidas de isolamento e deslegitimou seja os trabalhos de governadores e prefeitos em termos do enfrentamento do problema, seja uma conscientização coletiva ampla em torno ao distanciamento social e às medidas profiláticas de combate ao coronavírus, incluindo-se o próprio planejamento econômico para minimizar os impactos sociais da suspensão temporária das atividades – isso sem mencionar-se a sua inércia em torno à realização de contratos pelas vacinas.

Hoje mesmo, em que escrevo estas linhas, isto é, dia 14/03/2021, tivemos carreatas de bolsonaristas contra as medidas de isolamento social. E, mais uma vez, não vimos uma palavra mais séria e incisiva do presidente da república condenando essa postura e incentivando todos a se cuidarem e a cuidarem dos demais. É simplesmente um destruidor de tudo o que possa edificar nossa sociedade em um momento tão terrível como este. Jair Messias Bolsonaro é exatamente isso, e nada mais: um destruidor que, sem misericórdia, sem empatia e sem preocupação com a coletividade, incapaz de projeto, planejamento e proposição, arrasa com qualquer possibilidade de resolução dos nossos problemas, especialmente da pandemia do coronavírus.  

Leno Francisco Danner

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