Governo Bolsonaro se evaporando a passos largos!

Pela política nossa de cada dia!

Bolsonaro não prometeu e não cumpriu: poderíamos resumir desse modo a desastrosa e, obviamente, monstruosa gestão federal por ele realizada. Não tivemos um governo propositivo em termos de projeto político e capaz de construir maioria legislativa em torno a uma agenda de governabilidade e, finalmente, tivemos com muita intensidade um governo sabotador, omisso e investido na função de fomentar a propagação do coronavírus e, com ela, a mortandade absurda que caracteriza o Brasil hodierno.

Bolsonaro se esforçou por destruir cada centímetro de estabilidade e de protagonismo institucionais que lhe são legitimamente viabilizados pela nossa Constituição Federal, mas que também são legitimados constitucionalmente aos demais poderes, cada um com suas especificidades e responsabilidade. No caso específico da pandemia do coronavírus, que exigia e exige gestores públicos no mais estrito sentido do termo, assumiu uma atitude negacionista, simplificadora e sabotadora, sem qualquer respaldo mais amplo que não o do bando de insanos que lhe cerca e que lhe satisfaz o mínimo desejo tresloucado. O resultado dessa atitude antissistêmica destrutiva está seja no fato da mortandade enorme que vivenciamos, seja na instabilidade profunda de nossas instituições, com ameaças de rompimento da ordem democrática quase que diárias, seja, finalmente, na acefalia política que caracteriza o âmbito federal de governo.

A própria tentativa de polarização aguda, que Bolsonaro procura levar a efeito, é sua última cartada em uma situação social e institucional que lhe fugiu completamente ao controle: não tem maioria legislativa e sequer possui maioria social que lhe dê suporte nas suas estultices. Agora, é o deus nos acuda e o salve-se quem puder, e Bolsonaro se entrega diretamente a essa postura de estímulo de movimentos de ruptura dentro das instituições e fora delas, contando, para isso, com militares alienados da reserva e da ativa, felizmente uns poucos (embora influentes), pelo que se pode perceber. Não tendo condições de recuperar a Câmara dos Deputados e o Senado Federal e não sendo capaz de mobilizar maiorias sociais, além de submetido a um rigoroso processo de controle de constitucionalidade, só lhe resta o argumento fajuto da polarização e da falsificação dos resultados eleitorais, nada mais.

Bolsonaro está pagando a conta da sua incapacidade gerencial e, na verdade, da sua sabotagem, da sua omissão e da sua atitude proativa direta e incisiva no que se refere ao estímulo ao desrespeito de qualquer medida institucional de contenção e de resolução da pandemia do coronavírus, a começar pela logística de equipamentos e pela aquisição de vacinas. Por isso, no mínimo, tem culpa poderosa na tragédia humana que estamos vivendo, tendo nos jogado à própria sorte e nos largando à morte. Nesse sentido, o governo Bolsonaro derrete com uma velocidade espantosa, felizmente. E, se não for retirado por um processo legítimo e necessário de impeachment, será arrasado nas urnas no próximo ano. Sem golpe e pela vontade popular soberana.   

Leno Francisco Danner

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