Demonstrators hold a protest against Brazil's President Jair Bolsonaro's measures to confront the COVID-19 coronavirus pandemic, in front of the Planalto presidential palace, in Brasilia, Brazil, on January 17, 2021. (Photo by Sergio LIMA / AFP)

É ou não é genocídio?

Pela política nossa de cada dia!

A CPI da COVID tem nos mostrado com abundância de detalhes e provas o crime cometido pelo governo federal e seus cúmplices relativamente ao enfrentamento da pandemia do coronavírus. O último episódio de uma situação quase impensável, de tão trágica e como que surreal (afinal, qual é o governo democrático que, por sabotagem, omissão e recusa ao protagonismo, condena sua população à morte?), veio à tona recentemente, com os dados da atuação da rede de hospitais Prevent Sênior no tratamento experimental não informado aos pacientes e nem divulgado publicamente nos laudos mortis. Assim é que, por exemplo, o falecido médico Anthony Wang foi submetido a tratamento com o “kit covid” e, absurdo dos absurdos, com “técnicas” experimentais como terapia de ozônio retal – sendo que nada disso constou em seu laudo mortis. Importante lembrar, aliás, que a ozonioterapia é no máximo terapia experimental, própria à pesquisa laboratorial, não sendo prática médica válida e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de modo que a Prevent Sênior não tinha autorização para realizar tal procedimento médico.

O presidente Jair Messias Bolsonaro e seus dois filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, entusiastas tanto do tratamento precoce (o “kit covid”) quanto do isolamento social vertical, assumiram para si a defesa da pesquisa experimental da Prevent Senior, a qual, frise-se de novo, esta não tinha autorização e nem legitimidade para levar a efeito. É possível perceber-se isso em postagens nas redes sociais, em reportagens midiáticas e, finalmente, também em eventos por eles patrocinados – o presidente Bolsonaro chegou a fazer uma live sobre isso com os médicos Hélio Beltrão, Paolo Zanotto e Pedro Batista Jr., todos da Prevent Sênior. Note-se, portanto, a vinculação direta da família Bolsonaro com mais um fato não só escandaloso, mas ilegal, antiético e genocida, que se soma a toda essa cadeia macabra e criminosa de sabotagem, recusa ao protagonismo e deslegitimação de todo o trabalho de combate à pandemia do coronavírus feito no Brasil pelas instituições científicas e pelos estabelecimentos de saúde, inclusive no que se refere ao esforço ingente dos governadores e prefeitos para garantir um mínimo de intervenção no problema.

Por isso, repito a pergunta que abre este texto: é genocídio ou não é? A resposta está clara: é genocídio e, agora, ele está comprovado por essa correlação de fomento e promoção institucionais, por parte do presidente Jair Messias Bolsonaro, da utilização de métodos experimentais não validados e de cumplicidade prática por parte da Prevent Sênior na realização fática dos testes, os quais não só não eram em geral comunicados aos pacientes, como permaneciam omitidos dos familiares e dos laudos mortis daqueles que faleceram. O governo federal e a Prevent Sênior utilizaram cobaias humanas e, dados esses tratamentos completamente esdrúxulos, tiveram implicação direta nas mortes delas. É por isso que têm uma conta pesada para acertar com a justiça nacional e internacional, e ela não tardará em chegar. 

Leno Francisco Danner

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