O avanço do COVID-19 aumenta o pulso entre Bolsonaro e governadores

Brasil Política

Por EFE

Com mais de 13.000 mortes por coronavírus, o Brasil, epicentro latino-americano da pandemia, enfrenta o crescente avanço da doença em meio a um pulso entre os governadores e o presidente Jair Bolsonaro, que pressiona para abrir até as academias e cabeleireiros do país.

Enquanto os países europeus começaram a dobrar a curva COVID-19 após meses de forte confinamento, o Brasil está enfrentando uma escalada acentuada, com um aumento diário de mortes e casos confirmados de coronavírus (188.974) que já superam a Alemanha e a França.

O surto da doença colocou os estados brasileiros em xeque, muitos dos quais estão à beira do colapso sanitário, e forçou as principais regiões do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, a restringir as restrições de tráfego para contém contágios.

Essas medidas foram fortemente criticadas por Bolsonaro, que incentivou o retorno ao trabalho para “salvar a economia”, alegando que o desemprego mata tanto quanto o vírus.

O líder da extrema-direita brasileira tem em vista os governadores de São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos estados mais ricos e populosos do país e principais promotores das quarentenas, e os desafiou em várias ocasiões, prolongando a batalha política em plena pandemia.

O fogo cruzado explodiu nesta semana, quando o presidente emitiu um decreto para listar academias, salões de beleza e barbearias como “serviços essenciais” que devem continuar a funcionar, apesar da piora da crise.

A decisão foi interpretada como pressão contra os governadores, uma vez que o Supremo Tribunal ratificou em abril a autonomia dos estados e municípios para decidir sobre medidas de isolamento social.

Tanto o governador de São Paulo, João Doria, como o governador do Rio, Wilson Witzel, seguiram as orientações do mais alto tribunal e ignoraram o decreto presidencial, ampliando a lacuna que os separa do chefe de Estado, que parece estar politicamente isolado.

Bolsonaro considera que o coronavírus é uma “gripe” que afetará 70% da população e sugeriu que mesmo ele poderia ter sido infectado no “passado”, embora ele também tenha insistido em que “nunca” teve um coronavírus.

Após uma decisão da Suprema Corte, Bolsonaro publicou hoje os resultados dos três exames pelos quais passou e todos foram negativos.

O curioso é que essas análises, cujos resultados o presidente se recusou a divulgar, apesar de garantirem que eram negativas, foram realizadas sob os pseudônimos de “Airton Guedes” e “Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz”, embora em todos os casos apareçam seu bilhete de identidade e número de registro fiscal.

A CRISE DUPLA DE BOLSONARO

Além da crise do coronavírus, Bolsonaro está envolvido em uma séria turbulência política desencadeada por seu ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que o acusou de tentar interferir politicamente nas investigações da Polícia Federal que poderiam se espalhar para sua família.

O Ministério Público abriu uma investigação que poderia colocar o chefe de Estado em risco, cuja popularidade foi atingida durante seu primeiro ano e meio de mandato, passando de 56% para 32% hoje.

Uma das peças principais desta investigação é o vídeo de uma reunião de Bolsonaro com um grupo de ministros em que, segundo fontes judiciais, o presidente teria explicitado que ele pretendia mudar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro para “proteger sua família “de suposta” perseguição “.

No âmbito do processo, os Ministros da Presidência, Walter Braga Netto; Segurança Institucional, Augusto Heleno, e o Secretariado do Governo, Luiz Eduardo Ramos, que supostamente confirmaram que Bolsonaro se referiu à Polícia Federal durante a reunião.

No entanto, os ministros disseram que Bolsonaro queria mais informações da Polícia Federal para melhorar as ações do governo e não solicitou relatos de investigações específicas.

O chefe de estado, no entanto, nega categoricamente que a Polícia Federal tenha sido mencionada e afirmou hoje que o ministro Ramos estava “errado” em fazer uma declaração.

Se o Ministério Público concluir que Bolsonaro exerceu pressão política ilegal, ele poderia registrar uma queixa formal no Supremo Tribunal, que, por sua vez, deveria solicitar autorização da Câmara dos Deputados para iniciar o processo correspondente.

Nesse momento, se uma eventual reclamação fosse aceita, Bolsonaro seria afastado do cargo durante os 180 dias que durariam o julgamento e substituído pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que encerraria o mandato que termina em 1 de janeiro de 2023 se o governante fosse considerado culpado.

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